Meu nome é Sarah, tenho 21 anos. Eu me casei com o meu senhor aos 15 anos, tenho 3 filhos, uma menina e dois homens. Onde morro, tudo anda bem devagar, minha rotina se resume em cuidar dos meus filhos, marido e casa. Vou à missa todo domingo, pois meus senhor me obriga, diz ele que nós, mulheres, nascemos pecadoras, e que para recebermos o perdão precisamos fazer o que os maridos e homens da sociedade mandam e rezar.
Quando eu era menos e ainda morava na casa de meus pais, vivia ouvindo meu pai falando que tudo que acontecia de errado comigo e minhas irmãs era culpa de minha mãe que não nos tinha educado direito, dizia ele também que, para nos salvar do pecado e do inferno, teria que nos casar com homens direitos e responsáveis.
Eu, minhas irmãs e amigas, ficávamos na floresta conversando e dançando escondidas, claro, porque se nos descobrissem iríamos para a fogueira, por crime de bruxaria.
Hoje, já casada, perdi as contas de quantas vezes fui castigada por conta de erros que eu nem sabia que poderia cometer, como quando fui castigada por dar a luz a uma menina, que para meu pai e meu senhor, era um erro, por eu estar continuando o legado de um pecado que era destinado a mulher no seu nascimento.
Tenho medo por minha filha que mal acaba de nascer, e já é tão castigada pelos pensamentos e crenças dos homens desta sociedade, ela não terá direito a nada, como eu não tive. Não terá direito ao estudo, à proteção e muito menos à escolha, terá que viver por conta do seu marido, filhos e casa, e se o seu marido não considerar algo correto, ela será castigada. Submissa a todos os homens, minha avó, minha mãe, eu, minha filha e minhas netas não temos onde nos esconder e nos proteger.
Morrerei e serei enterrada como ninguém e mal terá gente chorando em meu enterro. Para falar a verdade, nem acredito que irei para o céu, não creio que rezar a minha vida toda, cuidar dos meus filhos e marido, irá me dar a salvação e absolvição dos meus pecados.
Aylla Araújo Ramos Gonçalves





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